Estamos na Semana de Manobras de Fim de Jogo, encerrando a série educacional com várias franquias que já contou com a Semana de Primeiras Jogadas e a Semana de Manobras de Meio de Jogo. Desta vez o foco é nos últimos estágios cruciais de cada mapa ou partida, que muitas vezes fazem a diferença entre a vitória e a derrota. Ontem explicamos as origens e implicações do C9 e hoje vamos examinar alguns números do tempo extra.

Manobras de Fim de Jogo: O que é C9

O temido C9: de onde vem, por que acontece e como evitá-lo.

O que é o “fim de jogo” em Overwatch? É a luta final entre as equipes em um mapa ou rodada? Para ser breve, vou definir o termo “fim de jogo” com um recorte bem específico: qualquer luta entre equipes que comece durante a prorrogação ou englobe o início da prorrogação. Essas são as lutas finais que inevitavelmente decidem a rodada, com os atacantes brigando para manter o ataque enquanto os defensores batalham para encerrar a rodada. Por definição, cada luta na prorrogação tem potencial de ser o “fim de jogo”.

Nesses momentos de alta pressão, um único golpe de misericórdia ou morte pode determinar os vencedores de um confronto inteiro — e às vezes são cinco golpes de misericórdia seguidos, como no famoso momento “dá para ganhar” de Jae-Hyeok “Carpe” Lee. Com esses destaques em mente, criei dois gráficos mostrando os golpes finais e nas mortes que ocorrem durante lutas na prorrogação.

Vamos começar com os golpes finais:

Golpes finais por luta na prorrogação comparados com o delta entre taxa de vitórias em lutas na prorrogação e taxa de vitórias em lutas globais (mínimo de 25 golpes finais na prorrogação). Os dados são dos confrontos da 3ª e da 4ª Fase e incluem as finais das fases e os playoffs. Os jogadores em destaque foram escolhidos para demonstrar os limites gerais dos dados.

Você pode ver acima um gráfico de golpes finais na prorrogação (GFP) por luta na prorrogação x taxa de vitórias em lutas na prorrogação* nos confrontos da 3ª Fase em diante. Comparei as duas estatísticas para avaliar os jogadores de forma mais holística, o que não daria certo com uma estatística só. Por exemplo, Carpe e Jeong-Woo “Sayaplayer” Ha, ambos jogadores primariamente de Widowmaker, obtiveram GFP semelhantes por luta na prorrogação (0,84 para Carpe, 0,70 para Sayaplayer). No entanto, Carpe se saiu muito melhor nessas situações do que Sayaplayer, como demonstrado pelo seu delta de taxa de vitórias em lutas na prorrogação.

Em outras palavras, apesar de obter apenas 0,14 mais golpes finais por luta na prorrogação do que Sayaplayer, a diferença entre a taxa de vitórias em lutas na prorrogação de Carpe (59%) e sua taxa de vitórias global (47%) foi de +12%. A de Sayaplayer, infelizmente, foi de -6%.

* Vitórias em lutas entre equipes são aquelas em que uma equipe obteve mais golpes finais do que mortes. Deixei isso simples para que análises futuras mais complicadas possam ser feitas a partir desses dados.

Isso gera um enigma do tipo ovo ou galinha. Será que esses números sugerem que, quando Carpe marcou GFPs, eles levaram diretamente a vitórias em lutas da Philadelphia Fusion? Será que Sayaplayer jogou tão bem quanto Carpe na temporada passada, mas acabou sendo atrapalhado pelos jogadores da Florida Mayhem nas prorrogações? Ou será que Sayaplayer foi o típico DPS que só garante golpes finais quando não faz diferença?

Vale ressaltar que Carpe não tem a maior taxa bruta de vitórias na prorrogação (é de Do-Hyeon “Pine” Kim, com 70%), mas acho que podemos concluir que essas estatísticas de jogadas finais contam uma história que já conhecemos: Carpe vai com tudo quando a partida inteira está em jogo. Seus 12% a mais de aproveitamento na prorrogação (em comparação com todas as lutas) são o melhor número da liga.

Vamos para o segundo gráfico:

OT Deaths - Player.png
Mortes por luta na prorrogação comparadas com o delta entre taxa de vitórias em lutas na prorrogação e taxa de vitórias em lutas globais (mínimo de 25 mortes na prorrogação). Os dados são dos confrontos da 3ª e da 4ª Fase e incluem as finais das fases e os playoffs. Os jogadores em destaque foram escolhidos para demonstrar os limites gerais dos dados.

Comparei acima as mortes na prorrogação (MP) por luta na prorrogação com o mesmo delta de taxa de vitórias em lutas na prorrogação dos confrontos da 3ª Fase em diante. Os jogadores que mais se destacaram para mim foram integrantes da Dallas Fuel. Se no fim da 2ª Fase me dissessem que a Dallas Fuel chegaria aos playoffs da 4ª Fase e ainda por cima pareceria mais decisiva em certas situações do que nomes como Jong-Ryeol “Saebyeolbe” Park, Jun-Young “Profit” Park ou Terence “Soon” Tarlier, eu teria rido. Mas a Fuel não conseguiu isso no lado ofensivo, e sim com uma defesa sólida, graças à chegada do tanque principal Min-Seok “OGE” Son e ao domínio precoce de Pongphop “Mickie” Rattanasangchod com Brigitte, que deram à equipe a capacidade de decidir vitórias nas prorrogações.

Ben “CaptainPlanet” Trautman é produtor de estatísticas da Transmissão Global da Liga Overwatch. Siga-o no Twitter!