O início das fases parece uma volta às aulas. Estamos todos mais velhos, mais sábios e ansiosos para 1) aprender ou 2) rever nossos amigos. E por amigos, quero dizer Tracer, Widowmaker, Pharah e Genji. Temos material novo, já que a nova atualização sacudiu as coisas, abrindo a porta para um dos metas mais diversificados que já tivemos na abertura de uma fase da Liga Overwatch. Doze heróis viram mais de 20% de tempo de jogo — foram oito na 1ª Fase —, enquanto apenas dois registraram mais de 60% de uso (D.Va e Lúcio), em vez dos cinco da 1ª Fase. Temos até novos alunos, com jogadores se encaixando em novas equipes ou estreando na Liga.

Sentem-se nos seus lugares, pessoal. A aula começou de novo.

1. Vamos falar sobre o meta, ou pelo menos especular sobre ele, já que ainda não conhecemos sua forma exata. Como profetizado, estamos vendo muitas composições de três tanques e três suportes centradas em Winston, mas a versão com Reinhardt ainda é uma opção confiável. Também estamos vendo várias formações defensivas com Bastion, impulsionadas pelas mudanças no Junkrat e a inclusão do repertório de Baptiste. A força dessa configuração resultou no retorno de equipes atacantes com composições cheias de DPS: vimos muitas de dois franco-atiradores, muitas Pharmercy e, acima de tudo, muito mais heróis de acerto imediato.

A primavera chegou no hemisfério norte, o ar está agradável e as colinas estão cobertas de sons de shurikens, tiros na cabeça e Acertos de Contas mais uma vez. Dê boas-vindas a gente como Ji-Hyeok “Birdring” Kim, Jeong-Woo “Sayaplayer” Ha e Chung-Hee “Stitch” Lee, que voltam de uma temporada no banco forçada pelo meta da 1ª Fase. O dia está bonito, não? Esperamos que o tempo continue assim.

2. Também estamos vendo a reintrodução, na falta de um termo melhor, de algumas estrelas de DPS que assumiram o papel de Zarya na 1ª Fase. Jogadores como Seung-Hyun “Ivy” Lee, da Toronto, Min-Sung “Diem” Bae, da Shanghai, e Corey “Corey” Nigra, da Washington, agora podem se exibir com alguns de seus heróis marcantes. O que mais me impressionou na 1ª Semana foi Kelsey “Colourhex” Birse, da Boston Uprising. Sua habilidade com Widowmaker causou bastante impacto nas duas — sim, duas — viradas da equipe na semana contra dois times que também disputaram os playoffs da 1ª Fase: Atlanta e Toronto. Com isso, são três viradas seguidas, um recorde na Liga.

A Boston é uma caixinha de surpresas, né? Primeiro tivemos a troca do tanque secundário Lucas “Note” Meissner por Richard “Rck” Kanerva, então na Dallas. No papel, a negociação não mudava muita coisa, considerando o que sabíamos sobre a atuação dos dois com D.Va. Mas Rck passou boa parte da 1ª Fase jogando de Sombra e parecia à vontade com a mudança constante, ao contrário de Note. Com Rck no plantel, a Boston ganhou uma nova dimensão e pode continuar surpreendendo as adversárias com sua flexibilidade atual.

O time ainda está se adaptando, claro, e é por isso que a Uprising parecia ser duas equipes diferentes na 1ª Semana: uma versão mais tímida na primeira metade e outra muito mais dominante após o intervalo. Após a segunda virada, contra a Toronto, o tanque principal Cameron “Fusions” Bosworth tentou explicar o fenômeno.

“Antes de começar o jogo, sabíamos o que queríamos fazer, sabíamos como queríamos jogar, mas na verdade estávamos hesitantes”, disse à correspondente Mica Burton. “Não estávamos confiantes como costumamos estar nos primeiros mapas, e isso é um sintoma de todas as viradas que tivemos.”

3. “Depois de só jogar com dois trios, dá um prazer especial atropelar composições desse tipo com heróis de DPS.” Essa frase de Gui-Un “Decay” Jang foi o grito de guerra de jogadores de DPS de toda parte após sua libertação na 2ª Fase. Assim como Colourhex na Boston, Decay pôde mostrar do que é capaz fora da Zarya na 1ª Semana, sacando seu Genji clássico algumas vezes e assumindo Bastion em formações defensivas.

A Gladiators também fechou com duas vitórias, derrotando a Shanghai Dragons antes de sobreviver à Seoul Dynasty em uma a emocionante partida de cinco mapas que deixou Decay um pouco abalado. “Eu estava tremendo mais do que imaginava depois da vitória”, disse. “Minhas mãos e meus pés estavam tremendo, e eu não conseguia nem andar...”

Esse momento me lembrou de como Decay é jovem — foi seu primeiro mapa de desempate na Liga Overwatch, apenas um mês após sua estreia —, o que contrasta com sua experiência e seu tempo de carreira. Isso não saía da minha cabeça durante a partida anterior da Gladiators, contra a Dragons. Ao final desse confronto, os cumprimentos entre os ex-colegas dos dois lados — o time inteiro da Kongdoo Panthera que foi vice-campeão da 2ª Temporada do Contenders Coreia, mais Jun-Woo “Void” Kang, que jogou em um elenco anterior da KDP — foram cheios de sorrisos e abraços:

Perguntei a Decay se ele disse alguma coisa aos seus ex-companheiros na fila de apertos de mão. “Brincamos um pouco uns com os outros, tipo ‘ah, sua Tracer piorou’”, respondeu. Isso, junto com sua afirmação de que ainda anda muito com o ex-time, foi um momento emocionante para mim como fã da Kongdoo desde os tempos do torneio APEX. Em geral, os jogadores se espalharam pela Liga Overwatch, como um desejo feito ao soprar sementes de dente-de-leão: dois estão na Spitfire, três na Gladiators, um na Dynasty, um na Shock e quatro na Dragons. Independentemente do tempo na Kongdoo, eles carregam o legado desses antigos elencos — a promessa e as realizações do passado — e as esperanças de suas novas equipes.

Decay, o integrante mais jovem do time da 2ª Temporada do Contenders, tem muita ambição, além de grande habilidade. Ele avaliou seu desempenho na 1ª Fase como “de 0 a 10, apenas nota 5”, principalmente por ter tido que ficar de fora das duas primeiras semanas aguardando seu aniversário de 18 anos. “Era o meio da fase e estávamos tentando chegar aos playoffs, e eu não fui tão bem quanto nos treinos, então fiquei meio chateado”, explicou.

Assistir à Final da 1ª Fase só serviu para dar mais motivação para chegar lá com a Gladiators na 2ª, acrescentou ele, e as duas vitórias iniciais certamente deixaram a equipe bem encaminhada.

4. Vamos examinar as equipes com duas vitórias até agora: San Francisco, New York, Chengdu, London, LA Gladiators e Boston. Ninguém deveria se surpreender com a Shock ou a NYXL, e a Spitfire teve um calendário bem generoso na 1ª Semana, que lhe permitiu tropeçar um pouco contra a Mayhem na sexta antes de pisar firme contra a Atlanta no domingo.

Os casos da Uprising e da Gladiators já foram discutidos, então só sobra a Hunters, que ou é sua equipe favorita ou é a favorita do seu jogador favorito. Sério mesmo: se você fizer uma pesquisa com os tanques principais da liga, vários vão ter um Wrecking Ball com visual da Chengdu ou talvez até uma conta alternativa para treinar com o hamster. Tudo isso graças à maestria de Menghan “Ameng” Ding com o herói, é claro.

Mas ele é apenas uma peça do espetáculo imprevisível, caótico e altamente divertido da Hunters: se você começar a notar visuais da Hunters em Symmetras usadas por outros profissionais em transmissões ou em suas próprias partidas, será em homenagem a Wenjie “Elsa” Luo. Isso porque a Hunters fez a Symmetra funcionar não apenas como uma jogada isolada pelos flancos em um ataque para ganhar tempo, mas como uma rodada de ataque legítima e constante.

Não sei nem o que dizer sobre isso. Elsa também não revelou nenhum segredo quando perguntei, dizendo apenas: “Nossa composição era melhor do que a deles, e a reação deles também não foi boa”.

A flexibilidade de Elsa é uma arma secreta da Chengdu: normalmente, ele fica na D.Va/Sombra, assim como outros tanques secundários da liga, mas saca Torbjörn ou Symmetra quando necessário. A equipe até agora tem sido o recipiente perfeito para as estratégias aventurescas do técnico Xingrui “Rui” Wang, e o meta da 2ª Fase pode ser o campo de testes ideal para todos os truques da Chengdu, se a vitória arrasadora por 4 a 0 contra a Paris e o 3 a 1 em cima da Washington forem alguma indicação.

“Nós esperamos ser uma equipe forte na 2ª Fase porque esse meta deve nos favorecer”, me disse Elsa. “Wrecking Ball é forte e, ao mesmo tempo, heróis de DPS como Junkrat estão mais fortes, além das mudanças na armadura, então eu acho que ele cai muito bem para nós. Na 2ª Fase, vamos mostrar mais variedades de composições ainda.”

Isso ecoa o que Chunting “Kyo” Kong me disse ainda na 1ª Fase e, pessoalmente, dou boas-vindas aos nossos senhores meta-agnósticos. Está na hora de pegar aquele visual da Chengdu da Symmetra.

5. Baptiste pode não ser a resposta aos dois trios, mas seu entrosamento em composições de bunker resultou em um meta mais diverso. As equipes estão usando o novo herói de diversas maneiras, algumas substituindo Brigitte como uma forma de capacitar ainda mais os jogadores agressivos de Zarya (a Shock é um ótimo exemplo disso), outras como uma alternativa a Zenyatta ou Lúcio em formações específicas.

Pedi a ajuda de Ben “CaptainPlanet” Trautman para observar melhor alguns desses pioneiros de Baptiste, e ele forneceu uma lista de nove jogadores com mais de 10 minutos de jogo com o personagem. Eis uma olhada preliminar, com os jogadores em ordem de tempo de jogo e a classificação entre parênteses para cada categoria (tenha em mente que a amostra ainda é muito pequena!):

Tempo jogado Dano causado/10 min Cura realizada/10 min Mortes evitadas com Campo de Imortalidade/10 min Assistências com Matriz Amplificadora/10 min
Rascal (Shock) 36:00 5.231 (1) 12.633 (1) 4,72 (5) 5,28 (2)
Neko (Defiant) 21:38 2.895 (4) 11.966 (4) 4,62 (6) 3,70 (5)
Hagopeun (Mayhem) 15:53 1.842 (7) 11.225 (5) 5,04 (3) 1,26 (9)
BigGoose (Gladiators) 14:50 2.244 (5) 7.328 (8) 2,7 (7) 4,72 (4)
Eqo (Fusion) 12:52 4.189 (2) 9.168 (7) 7,77 (1) 1,55 (8)
Chara (Charge) 12:34 2.012 (6) 12.203 (2) 4,77 (4) 8,75 (1)
Blasé (Uprising) 10:50 3.236 (3) 10.181 (6) 0,92 (9) 1,85 (7)
Kyo (Hunters) 10:22 1.573 (8) 7.249 (9) 1,93 (8) 1,93 (6)
Ark (Justice) 10:20 818 (9) 12.017 (3) 6,78 (2) 4,84 (3)

6. Tivemos um punhado de estreias na Liga Overwatch na 1ª Semana. A Paris apresentou três jogadores que não participaram da 1ª Fase: Roni “Lhcloudy” Tiihonen, Karol “Danye” Szcześniak e Luís “Greyy” Perestrelo. Na Atlanta, tivemos Nathan “Frd” Goebel assumindo a função de tanque flexível, e na Hangzhou, Sang-Hyun “Sasin” Song. A entrada mais impactante, porém, foi a de Jin “Im37” Hong na Defiant, que sem querer sacaneou o correspondente Danny Lim logo após uma apresentação brilhante contra a Washington Justice.

.@itsmelimmy sempre indo além do que o dever exige. @im37_ow #OWL2019https://t.co/U6dIipgQGs pic.twitter.com/wJCy2KrmEe

— Overwatch League (@overwatchleague) 6 de abril de 2019

Além de viralizar imediatamente nas redes sociais, a entrada de Im37 chamou a atenção pela pouca preparação que ele teve. Há apenas três semanas, ele estava jogando em uma equipe da Divisão Aberta, depois teve uma breve passagem pela Second Wind, do Contenders, antes de a Toronto bater à sua porta.

“Eu sinceramente não achava que iria parar na Liga Overwatch, porque estava jogando Overwatch só por diversão”, contou Im37. “Só entrei em uma equipe da Divisão Aberta porque um grande amigo me recomendou. A Divisão Aberta é tipo uma 3ª divisão, então [achei que] não seria tão difícil quanto a Liga Overwatch e topei. E aí tudo aconteceu muito rápido.”

Além de tomar a decisão duríssima de largar a faculdade para correr atrás desse sonho inesperado, o rapaz de 19 anos também precisou convencer os pais de que valia a pena.

“Eu fui para o Canadá para estudar, mas, quando disse para o meu pai ‘Eu vou para a Liga Overwatch’, ele disse ‘Não, você tem que estudar’”, explicou. “Passei dez dias tentando convencê-lo, tentando explicar o que é a Liga Overwatch, o que eu vou fazer e o que vou ganhar [da Defiant], então foi uma decisão realmente difícil de tomar. Realmente difícil.”

E agora? “Eles estão meio neutros agora. [Me disseram] ‘Se você quer fazer isso, se gosta mesmo disso, então faça, mas é a sua vida, então cuide bem dela’.”

7. A Defiant estava sem dúvida meio perdida depois da aposentadoria repentina do DPS Do-Hyung “Stellar” Lee alguns dias antes da 2ª Fase, e não há como desenvolver muito entrosamento com apenas três blocos de treino em conjunto. Ainda assim, se não fosse pela virada que sofreu na mão da Boston, a Toronto teria duas vitórias no início da 2ª Fase. Im37 descreveu sua estreia como “bem decente” apesar das circunstâncias, mas também reconhece que precisa fazer alguns ajustes depois de ir do jogo ranqueado para a Liga Overwatch em um mês.

O primeiro é menor: se acostumar com a comunicação em coreano. Im37 é bilíngue, mas passou os últimos anos jogando em servidores norte-americanos.

A segunda mudança é um pouco mais difícil. “Meu estilo de jogo era total fila solo: eu vou atrás de kits médicos sem pedir ajuda, tento matar todos com um posicionamento ruim ou arriscado”, explicou. “Mas agora eu aprendi que, na OWL, Overwatch é jogado em equipe e depende totalmente de comunicação e coordenação. Então eu tenho que abandonar meu estilo de jogo e me adaptar ao do time.”

8. Chegou a hora dos momentos supremos! Primeiro, tivemos o passeio da Shock na vitória por 4 a 0 contra a Los Angeles Valiant na sexta:

6 jogadores tinham registrado taxas de E:M de 4,0 ou mais em confrontos da OWL 2019 antes de hoje

Confronto da @SFShock hoje
Choihyobin: 5,25
Viol2t: 4,5
Sinatraa: 4,5
Super: 4,0

— Ben Trautman (@CaptainPlanetOW) 6 de abril de 2019

Outra semana, outro speedrun da Vancouver. Dessa vez foi em King’s Row, onde a atual campeã de fase — que, aliás, quebrou o próprio recorde em Rialto na Final da 1ª Fase — conseguiu um tempo espantoso de 2:44. Isso foi após a Hangzhou conseguir um tempo decente na sua rodada de ataque. Imagine como isso deve ser frustrante. A Shock entende.

Por fim, o tanque secundário da London Jun-Ho “Fury” Kim cravou o recorde de supremas anuladas em um só confronto da temporada de 2019, com seis na lavada da Spitfire sobre a Atlanta no domingo, superando as cinco de Hyun-Woo “Jjanu” Choi contra a Paris na 1ª Fase. Um torcedor compilou o ponto de vista de Fury em todas as seis (jogadores de Zarya não interagem):

9. CaptainPlanet soltou outra ótima análise de estatísticas na semana passada, imaginando uma Classificação por Empolgação de Lutas entre Equipes. Meu olho captou algumas lutas extraordinárias na 1ª Semana, então perguntei quais foram as três melhores:

Empatada em segundo, com um teor de empolgação de 65,17 e 20 golpes finais no total, esta luta em King’s Row entre a Chengdu e a Washington (link do momento) foi tão bagunçada e caótica que fez Mitch “Uber” Leslie soltar um “O que é isso que estou vendo?!” angustiado depois que tudo acabou. Mesma coisa aqui, cara.

Identificando as lutas entre equipes mais empolgantes

Criamos um algoritmo que usa as estatísticas das lutas entre equipes para calcular o grau de empolgação.

A outra luta que registrou 65,17 ocorreu na outra ponta de King’s Row (link do momento), com a Shanghai e a LA Gladiators trocando sopapos na prorrogação. A luta teve 17 golpes finais, 17 supremas e três ressurreições da Mercy de Gyeong-Woo “Coma” Son.

Por fim, a luta entre equipes mais empolgante da 1ª Semana, com uma pontuação de 77,33, foi cortesia da London e da Atlanta na rodada de tempo no Blizzard World (link do momento). Jun-Young “Profit” Park desferiu cinco dos 19 golpes finais com Pharah, enquanto Jae-Hui “Gesture” Hong assumiu a função de limpeza com Wrecking Ball.

Assista a todos os confrontos da temporada de 2019, ao vivo ou quando você quiser, em overwatchleague.com, no aplicativo da Liga Overwatch e no nosso canal na Twitch.